sexta-feira, 15 de outubro de 2010

Apresentação

No trecho dedicado a contar Como é feito este livro, Roland Barthes, em
Fragmentos de um Discurso Amoroso, escreve : “ ..não era preciso reduzir o enamorado a uma simples coleção de sintomas, mas sim fazer ouvir o que existe de intratável em sua voz...substituiu-se, então, à descrição do discurso amoroso sua simulação, e devolveu-se a esse discurso sua pessoa fundamental, que é o eu, de modo a pôr em cena uma enunciação e não uma análise.”
Tomando emprestada a inspiração compartilho da proposta: Serterapeuta é o convite à dramatização do espaço interno do terapeuta.
Não tem como fundamento ser mais um canal de comunicação que defenda verdades, que promova nomes ou que crie análises. Tem por fundamento  desenvolver escritos e promover encontros onde o ser do terapeuta, esteja em cena numa enunciação.
Mas o que isto significa ?
O cuidado não é mesmo tarefa fácil! Tampouco de bom resultado garantido. Há tantas vicissitudes...e há ainda “o tal do destino” que parece se impor a qualquer tentativa de ordem.
Mas todo cuidador precisa de uma certa ordem, uma maneira de conceber o homem, o mundo e a realidade que lhe norteie a prática.
E aí nos vemos diante de tantas possibilidades: diferentes correntes teóricas que têm postulados próprios, metodologias distintas, verdades subentendidas...
Em paralelo, a vida pessoal do terapeuta segue com todos as suas necessidades, desafios, contradições. Pequenas ou grandes tragédias, pequenas ou grandes comédias no palco do dia a dia. Ora do cuidador, ora de quem por ele é cuidado.
Retornando à Barthes, não nos olhemos como a uma coleção de sintomas, coloquemos em cena nossas alegrias e aflições...
Qual é a origem da vida? O que é a morte? Há algum sentido na existência? Qual a diferença entre cérebro e mente? O que é a Alma? Behaviorismo ou física quântica? A ciência me define ou alguma força superior me conduz? Os traumas infantis definem meu destino? O que é essa tal de individuação???
Tantas questões! E o quanto elas estão como pano de fundo de pequenas ações do terapeuta no dia a dia.
A nos socorrer (ou a nos confundir) estão a filosofia, a história, a psicologia, as ciências, a religião...a arte...o conhecimento....a fé.
E nessa miríade de possibilidades cada serterapeuta se faz um. Único, unidade composta por complexidades, mas necessariamente um.
Em busca dessa amálgama está este espaço.
Será alimentado por idéias e experiências trazidos através de mim e de todos aqueles que quiserem participar.
O compromisso será com a sensibilidade e com a inteligência.
O meu compromisso pessoal? me colocando agora em cena: há uma música no Universo e eu quero saber ouvi-la.

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